Como uma das formas mais silenciosas e devastadoras de abuso em relacionamentos, a violência psicológica compromete severamente a saúde mental da vítima, mesmo sem deixar marcas físicas ou hematomas visíveis. Recentemente, o tema ganhou ainda mais força com o caso envolvendo Lucas Strabko (Cartolouco) e sua ex-namorada Gabriella Augusto. Esse episódio expôs as consequências da manipulação emocional na vida das mulheres, evidenciando a urgência de se identificar sinais de abuso que costumam passar despercebidos por amigos, familiares e pela própria pessoa agredida.
Segundo o psicólogo Paulo Zago Neto, conhecido como Neto Zago, relacionamentos abusivos normalmente não começam com agressões físicas. O processo costuma ser gradual, é importante reconhecer os principais sinais precocemente, como críticas constantes, chantagens emocionais, humilhações frequentes, controle excessivo, isolamento da família e dos amigos, ciúme exagerado, desvalorização constante, manipulação emocional, ameaças e inversão da culpa.
“Vítimas que sofrem esse tipo de abuso apresentam maior risco de desenvolver ansiedade, depressão, síndrome do pânico, transtorno de estresse pós-traumático, insônia, alterações alimentares, baixa autoestima, isolamento social e dificuldades para estabelecer novos relacionamentos afetivos. A mulher perde a confiança em si mesma, vive com medo, perde o amor-próprio e se sente culpada por tudo que acontece de errado. Aos poucos, também deixa de acreditar que consegue viver sem aquele parceiro“, afirma Paulo Zago Neto.
Romper o ciclo de violência representa um dos maiores desafios para as vítimas, uma vez que diversos fatores dificultam essa ruptura. Entre eles, destacam-se as dependências financeira e emocional, a presença de filhos, o receio do julgamento da sociedade, as constantes promessas de mudança e a esperança de recuperar a pessoa por quem se apaixonaram inicialmente. Mesmo após conseguirem colocar um fim na relação, é comum que muitas mulheres ainda carreguem, por anos, marcas dolorosas como sentimentos de culpa, insegurança, medo e extrema dificuldade em voltar a confiar em alguém.
De acordo com o especialista, o suporte psicológico é indispensável para que esse ciclo seja rompido de forma definitiva. A psicoterapia auxilia a mulher a processar e ressignificar os traumas sofridos, reerguendo sua autoestima e promovendo o perdão e o autoperdão, fundamentais para desvencilhar-se da carga emocional carregada ao longo do relacionamento.
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